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A Pandemia e a ansiedade: o que é normal e o que é transtorno?

Publicado: outubro, 2020

Desde o início deste ano, em razão da pandemia do novo coronavírus, o mundo está vivendo um grande momento de incertezas e inseguranças.

A princípio, não sabíamos quase nada sobre a doença e as medidas tomadas para desacelerar o contágio contribuíram para agravar ainda mais esse cenário. O distanciamento e o isolamento social foram (e ainda são) maneiras muito eficazes de combater a disseminação da Covid-19, mas causaram grandes impactos em nossas vidas.

Com tantas mudanças repentinas, é normal que a gente passe a se sentir mais ansioso e com medo do futuro. Afinal, nos preocupamos com a nossa saúde e de quem amamos, tememos por nossos empregos, não sabemos quando a situação da educação será resolvida, dentre outros motivos.

Estar ansioso x ser ansioso

Mas é preciso saber diferenciar quando essa ansiedade está “dentro do esperado” e quando extrapola os níveis considerados normais, se transformando em um transtorno.

É comum e até saudável que a gente se sinta nervoso e ansioso diante de situações novas, como uma apresentação de trabalho ou uma entrevista de emprego, por exemplo.

No entanto, quando tais preocupações quando são excessivas, duradouras e desproporcionais com o contexto, é preciso ficar atento.

Ansiedade na pandemia: quando o medo vai além do normal

Como dissemos, quando alguma circunstância específica desencadeia o sentimento de ansiedade, normalmente esse quadro é passageiro.

Porém, quando uma pessoa sofre com o transtorno de ansiedade generalizada, sua maneira de pensar e agir são afetadas durante um tempo prolongado, de modo que os sintomas físicos e emocionais persistem por um período superior a seis meses.

Os principais sintomas de transtorno de ansiedade generalizada são:

– Enxergar perigo em tudo: geralmente, indivíduos com transtornos de ansiedade tendem a superestimar o perigo das situações, de modo que o medo e a preocupação surgem de forma desproporcional.

– Descontar as preocupações na comida: é comum que pessoas ansiosas descontem suas preocupações e tensões na comida, mastigando pouco e ingerindo grandes quantidades em pouco tempo. Comer indiscriminadamente, sem fome, para lidar com os problemas emocionais é um sinal de alerta, porque pode desencadear quadros de compulsão alimentar.

– Alterações no sono: sofrer com dificuldade para dormir ou apresentar episódios de insônia são situações comuns para quem tem ansiedade. Ansiosos não conseguem se desligar daquilo que viveram durante o dia e costumam passar a noite em claro pensando sobre o que farão no dia seguinte.

Preocupação e medo em excesso: a ansiedade pode ser definida como “excesso de futuro”, ou seja, uma pessoa ansiosa tem uma preocupação e um medo desproporcional em relação ao futuro. Em épocas de crise, isso fica ainda mais evidente – e pensamentos de autocritica, medo do fracasso e de não ser o suficiente, seja no trabalho ou nos relacionamentos, invadem a mente dos ansiosos.

– Inquietação constante: Pessoas ansiosas têm dificuldade de se concentrar para realizar tarefas, apresentando inquietação e fadiga extrema. Angustiados, andam de um lado para o outro, roem as unhas, balançam as pernas, não conseguem ficar parados.

– Perfeccionismo: o perfeccionismo é caracterizado pela busca incessante por atingir padrões muito altos em qualquer área da vida e está ligado ao medo de errar, gerando o sentimento constante de insatisfação, pois a perfeição é algo praticamente impossível de ser alcançada. Ao não atingir seus objetivos (irreais), o perfeccionista se frustra e se sente infeliz, ansioso.

– Sintomas físicos: durante as crises de ansiedade, podem surgir sintomas como tremores, sensação de falta de ar, coração acelerado, suor excessivo, tontura, náuseas, desconforto abdominal, dentre outras alterações físicas e fisiológicas.

Tipos de ansiedade

É preciso ter em mente que tal excesso de preocupação e ansiedade pode desencadear diversos tipos de transtornos emocionais, tais como síndrome do pânico, fobias, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de estresse pós-traumático.

Apesar de apresentarem sintomas parecidos, é preciso reconhecer as especificidades de cada caso, para sabermos qual a melhor maneira de lidarmos com eles.

A importância do autoconhecimento e de procurar ajuda

Como pode ser visto durante este artigo, a ansiedade pode afetar diversas áreas de nossas vidas, diminuindo nossa produtividade e afetando a nossa autoestima.

No entanto, ferramentas de autoconhecimento podem nos ajudar a detectar as situações-gatilho das crises e a administrar os sintomas físicos e psicológicos.

Uma das maneiras mais efetivas para isso é a psicoterapia. Durante as sessões, o profissional será capaz de nos ajudar a enxergar nossa realidade com outros olhos, menos críticos e mais empáticos com a gente mesmo.

Por isso, se você ou alguém da sua família tem sofrido com a ansiedade, não deixe de procurar ajuda.

Lembre-se: está tudo bem não estar tudo bem. Você não está só e não precisa carregar esse peso sozinho.

O importante é reconhecer o problema e não se esquecer de que dias melhores sempre virão!


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